Palestina
Entre escombros, pousada a solidão,
Vaga uma criança, trémula, cansada,
No olhar, o mar — promessa
desenhada
Por trás de muros, cinza e
devastação.
Na mão, a boneca — trapos de
afeição,
Vestígios doces de uma vida
passada.
O vento sussurra, brisa amordaçada,
Histórias soterradas no coração.
Sobre a cidade morta, cresce o
sonho
De águas azuis, de um riso medonho
De liberdade, onde o medo não cabe.
E a menina espera, quieta e
pequena,
Que o mar lhe devolva, entre a dor
amena,
A esperança, bordada na alva da
tarde.
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