Raras são as estrelas que cruzam constelações de dor, Tecendo na pele a tapeçaria do tempo gasto. Suas lágrimas, orvalho que fertiliza jardins de esperança, Entre tempestades de doença, de amor e de fado. São navegantes de mares revoltos, Em barcos de papel que desafiam os temporais; Carregam no peito a alvorada — chama oculta — Que acende o riso mesmo em noites glaciais. Cada cicatriz é mapa de um continente submerso, Onde florescem lírios no leito árido do sofrer. A gratidão, ave rara, faz ninho nos galhos partidos, E canta alvoradas no silêncio do entardecer. Vivem de luz recolhida nos abismos E, mesmo feridas, ofertam girassóis ao dia. Transformam a dor em ouro líquido, Destilando esperança na taça da alegria.