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Olympe De Gouges

Da série pessoal sobre pessoas que considero inspiradoras, não apenas pela sua influência e importância histórica, mas igualmente pela sua coragem e determinação, mesmo em face da morte. Igualmente importante, por conseguirem ver e alertar para o essencial no meio da manada furiosa que, tantas vezes são as sociedades humanas. Uma qualidade que muito precisamos nos dias que correm.

Olympe de Gouges (1748–1793) foi uma das mais notáveis figuras do Iluminismo francês e pioneira na defesa dos direitos das mulheres. Nascida Marie Gouze em Montauban, adotou o nome Olympe de Gouges ao lançar-se no meio literário parisiense, destacando-se como dramaturga, escritora e ativista política. Em 1791, publicou a célebre "Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã", onde reivindicava direitos civis, políticos e sociais para as mulheres, questionando os limites da igualdade proclamada pela Revolução Francesa (que proclamava os Direitos do Homem, mas somente para homens…).

Além da luta pelos direitos femininos, Olympe de Gouges destacou-se pela sua oposição à escravatura e pela crítica aberta ao radicalismo revolucionário, antecipando o auge do Terror. Publicou peças de teatro, romances e panfletos, usando a palavra escrita como meio de contestação e transformação social. Acabou por ser presa e executada na guilhotina em 1793, tornando-se mártir da causa da igualdade e um símbolo duradouro do feminismo e da liberdade de expressão.

Fica aqui a minha gratidão e pequena homenagem.


Olympe

 

Olympe, nome gravado em prata fria,

Ergue-se acima do tumulto e do medo;

Tecido de coragem, verbo e ousadia,

Desafia o tempo, o silêncio e o degredo.

 

Nas praças de Paris, erguendo alto o papel,

Denunciou o destino de carne e grilhão:

“Mulheres são livres, tão dignas quanto o céu,

Suas vozes são rios, suas causas, canção.”

 

Fulgurava nos olhos o alvorecer da razão,

Desenhando em cada frase o mapa da esperança;

Tremia a Bastilha diante da sua mão,

E a verdade dançava nas linhas da mudança.

 

Cercada por sombras, o tribunal se ergueu,

Censores de ferro, de ideias, de terror.

A pena tornou-se lâmina e, no brado, nasceu

O grito imortal de quem enfrenta a dor.

 

Ao pé da guilhotina, não declinou o olhar;

A multidão silente, a noite, o aço, o frio.

 

No lume aceso da palavra ousada,

Ergue-se a voz que rompe a noite fria.

Da pena, nasce a esperança esperada,

E a liberdade enfim, principia.

 

Olympe, estrela em constelação velada,

Teceu com palavras a audaz rebeldia.

Por entre sombras, a mulher silenciada,

Desperta em luz de nova utopia.

 

Que sejam plenas as mãos e os corações,

Que o verbo mude o rigor das prisões,

E cada sonho, enfim, seja verdade.

 

Ecoa ainda o brado em manifesto:

Renasce o mundo por direito e gesto,

Onde a justiça é flor de igualdade.


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