No silêncio onde o tempo se
dissolve
Ecoa um nome que nunca se apaga,
É aurora nas pálpebras da noite,
Chama secreta que insistente alaga.
Teus passos ainda dançam sobre a
relva
E os dias, mesmo mudos, te
procuram.
No limiar do sonho, a tua ausência
É presença que nunca se acura.
A eternidade é feita deste instante
Em que o amor se ergue,
desamparado,
Na alvorada onde a saudade é ponte
Entre o perdido e o lembrado.
E, se imortal é tudo o que amamos,
Por que a dor se faz tão
persistente?
O que permanece é sombra e é luz,
É rosto etéreo, abraço ausente.
Navego em mares onde o tempo é
ferida,
Buscando ilhas onde tu repousas,
Mas sei que a alma, mesmo partida,
Guarda joias, memórias tão
preciosas.
Assim, sobrevivo ao fogo da
ausência,
Urna de amor, cinza e claridade.
Pois quem perdeu, renasce em
esperança,
Na eternidade breve da saudade.
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