São asas de vento as escolhas lançadas, Cada gesto um pássaro a cruzar o céu aberto. Liberdade é jardim de portas entreabertas, Onde cada semente espalha, no escuro, o seu verso. Decidimos — e o lago vibra em círculos concêntricos, A água, espelho do mundo, reflete o toque e o querer. A ponte erguida por um sonho atravessa multidões, E, no eco do passo singelo, outros passos aprendem a nascer. Não somos ilhas: somos rios que se entrelaçam, Correntes que, escolhendo o leito, moldam margens e destinos. No sopro do livre-arbítrio, cada escolha desenha O mapa invisível de todos os caminhos. Ser livre é saber: nenhuma decisão é só nossa — É chama que, ao acender-se, ilumina horizontes partilhados. No gesto minúsculo, o universo dança, E cada liberdade engrandece o mundo habitado.
Raras são as estrelas que cruzam constelações de dor, Tecendo na pele a tapeçaria do tempo gasto. Suas lágrimas, orvalho que fertiliza jardins de esperança, Entre tempestades de doença, de amor e de fado. São navegantes de mares revoltos, Em barcos de papel que desafiam os temporais; Carregam no peito a alvorada — chama oculta — Que acende o riso mesmo em noites glaciais. Cada cicatriz é mapa de um continente submerso, Onde florescem lírios no leito árido do sofrer. A gratidão, ave rara, faz ninho nos galhos partidos, E canta alvoradas no silêncio do entardecer. Vivem de luz recolhida nos abismos E, mesmo feridas, ofertam girassóis ao dia. Transformam a dor em ouro líquido, Destilando esperança na taça da alegria.